terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A MIGRAÇÃO ILEGAL E TRÁFICO HUMANO.


O Presidente do Conselho Executivo, o Coordenador do Projecto “Espaço Anjos” (Prevenção dos Comportamentos de Risco) e as Coordenadoras das Actividades de Enriquecimento Curricular da Escola Secundária Jaime Moniz vêm, por este meio, solicitar a V. Ex.ª a divulgação e cobertura, no Vosso Órgão de Comunicação Social, da conferência intitulada: A MIGRAÇÃO ILEGAL E TRÁFICO HUMANO, na qual será prelector o Dr. JOSÉ FELISBERTO GOUVEIA ALMEIDAEx-Director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e Conselheiro para a  Imigração na Embaixada de Portugal na Roménia, que se realizará em duas sessões, no dia 17 de Janeiro, das  09H45 às 11H15 (a primeira) e das 11H30 às 13H00 (a segunda), no Auditório 1 desta ESCOLA, destinada a Alunos dos Cursos Tecnológicos de 12.º Ano.
            Estas sessões surgem no âmbito da prevenção dos comportamentos de risco, resultantes do abandono precoce da escola, por parte de alguns alunos para trabalharem no estrangeiro, no sentido de os alertar para os perigos que podem advir do seu acto, uma vez que muitas das propostas são enganadoras e podem conduzir seres humanos a uma espécie de escravatura como aconteceu em 2010, segundo o Diário de Notícias da Madeira a 20 jovens, que se submeteram a  um casting para manequins, na Rua dos Aranhas, e depois a realidade que encontraram, fora da Madeira, foi muito diferente da prometida ... Referimos também, uma notícia, dos telejornais nacionais, onde um grupo de homens portugueses foram recrutados para trabalhar no estrangeiro. Lá,  foram obrigados a serem escravos sexuais.


Mais informações na revista "O Lyceu"

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Migração Ilegal e Tráfico de Pessoas


Ofertas de emprego irrecusáveis, anúncios de uma vida melhor atraem vítimas para redes internacionais de tráfico. As mulheres são o alvo principal.

São de diversas partes do mundo e partilham sempre o mesmo objectivo: procurar uma vida melhor. A condição social, mas, sobretudo, a económica, lança mulheres e homens em malhas organizadas de tráfico sexual, laboral.

Contudo, uma realidade cada vez mais presente é a do tráfico laboral. Holanda, Reino Unido, França, Suíça, Luxemburgo, Espanha e Irlanda são apontados como os países de maior incidência de exploração laboral de portugueses. “Retenção de documentos e dívidas” aos traficantes perpetuam a situação de abuso.

Outro fenómeno que ainda é “oculto” em Portugal é o do tráfico sexual. As vítimas, maioritariamente mulheres, provenientes dos “países do Leste [europeu] e do Brasil”, caem em “redes de criminalidade organizada”.

São atraídas por promessas de emprego, de um “el dorado” ou até pelos lover boys que vêem na fragilidade emocional da vítima a oportunidade de lucrar com a venda. Acabam por sofrer de violência, maus tratos, abusos constantes, naquilo que se designa de “situações de escravatura do século XXI”.

Quanto ao perfil do traficante, podem ser de ambos os sexos. São “conhecidos, familiares e namorados” que se aproveitam da vulnerabilidade da vítima.

O tráfico de pessoas está geralmente associado à criminalidade organizada, perfeitamente montada para obter lucro.

Partindo da análise do trecho de dois filmes: "Promessas Perigosas" e "Matrioshki " e valendo-nos da experiência profissional do ex-Inspector do Serviço Estrangeiro e Fronteiras no Funchal e Oficial de Ligação de Imigração na Embaixada de Portugal em Bucareste, José Felisberto Almeida, cabe-nos alertar os nossos alunos para os riscos, alguns deles de natureza até física e moral, que correm ao abandonar, a meio do percurso um projecto e ao abraçarem outro, para eles desconhecido, tutelados por alguém ou alguns cujo objectivo essencial é a maximização do lucro, usando as pessoas de que dispõem como máquinas, ou ferramentas ou mesmo animais, inseridos num projecto de exploração maciço e criminoso.
Os riscos são muitos e os proventos, esses serão alguns ou nenhuns, como tivemos ocasião de apresentar e de nada adianta avançar com raciocínios desculpabilizantes do género de que é mão-de-obra jovem, não formada ou imperfeitamente adequada às funções que se lhe exige, porque esse é muitas vezes o argumento base de jornadas de exploração, risco físico e moral e de inenarráveis sofrimentos, frustrações e amarguras, sofridas muitas vezes solitariamente, longe de qualquer protecção ou aconchego, seja ele familiar ou de grupo.

Nestas acção vamos abordar:

- O recrutamento e contratação;

- Viagem e colocação no local de trabalho;

- Análise de desempenho e suas consequências.

Muitas vezes as pessoas partem para uma viagem sem regresso!

Quanto mais tarde o aluno chegar ao mercado de trabalho e quanto menos habilitações tiver, mais baixo será o seu ordenado e piores serão as suas condições de trabalho!

Se alguma vez abandonarem o seu país para irem trabalhar para o estrangeiro, as pessoas devem:

- Tirar informações prévias, em Portugal, se tal for possível, das entidades de contacto e contratadoras;

- Informar-se com familiares e ou conhecidos que já tenham tido contactos com tais entidades;

- Aquando da entrevista fazer-se acompanhar de um familiar ou amigo seguro que espere discretamente o termo da entrevista;

- Em caso de dúvida ou suspeita informar-se, junto do centro das Comunidades/SRR Humanos e ou SEF;

- Apenas e só em caso de absoluta certeza responder a perguntas de carácter pessoal;

- Rejeitar de imediato solicitações ou perguntas de carácter pessoal intimo ou com cariz sexual, mesmo que parecendo inócuas;

- Estar atento/a aos entrevistadores, às suas posturas, ao tipo de local da entrevista, à qualidade do atendimento;

- Se contratado, verificar cuidadosamente antes de assinar os termos do contracto;

- Grandes salários para funções de baixa qualificação são suspeitos e de risco acrescido;

- Se houver acordo, que seja escrito na sua própria língua e se possível verificar do visto do mesmo pelas Autoridades de Trabalho;

- Fazer fotocópias de todos os documentos pessoais, incluindo o contrato de trabalho e de alojamento;

- Assinar o contrato de trabalho, se possível de forma pública e na companhia de alguém da sua confiança;

- Guardar cuidadosamente essas fotocópias , em sítio que seja apenas do seu conhecimento e de alguém da sua maior confiança;

- Saber antecipadamente, tanto quanto possível o local onde írá trabalhar e respectivos meios de comunicação;

- Conhecer previamente, mesmo que por vídeo, a cidade e o local onde irá alojar-se e os respectivos meios de contacto;

- Se puder escolher, assinar contrato em entidades que contratem conhecidos, ou onde já trabalhem pessoas de sua confiança;

- Faça e respeite o pagamento das contribuições sociais, não aceite candongas, falsas declarações ou economias;

- Munir-se sempre de um bilhete de transporte com volta assegurada e fazer cópia do mesmo;

- Verificar se o transporte é até ao destino final, sem interrupções ou percursos por escalas incompreensíveis ou suspeitas;

- Entregar essa cópia a pessoa de sua confiança, ou fazer referência da existência da mesma cópia e onde está guardada;

- Efectuar um contacto telefónico imediato a quando da chegada ao local de alojamento e de trabalho;

- Se tiver telemóvel com MMS mandar foto unívoca dos mesmos locais, que deve efectuar discretamente;

- Se possível inclua nessa foto alguém das suas novas relações ou do trabalho, com quem troca fotos;

- Se elas rejeitarem ou se recusarem, suspeite e mantenha-se atento/a;

- Registar-se no mais breve espaço de tempo na Embaixada ou Consulado de Portugal mais próximo;

- Manter-se contactável, atento/a e seguro/a;

- Fazer amigos fora do trabalho, se possível famílias, com vida estável, conhecida e insuspeita.

domingo, 19 de abril de 2009

NÃO TENHO TEMPO



NÃO TENHO TEMPO

Sabe, meu filho, até hoje não tive tempo para brincar com você.
Arranjei tempo para tudo, menos para ver você crescer.
Nunca joguei dominó, dama, xadrez ou batalha naval com você.
Percebo que você me rodeia, mas sabe, sou muito importante e não tenho tempo.

.
Sou importante para números, conversas sociais, uma série de compromissos inadiáveis...
E largar tudo isso para sentar no chão com você...
Não, não tenho tempo!
Um dia você veio com um caderno da escola para o meu lado.
Não liguei, continuei lendo o jornal.
Afinal, os problemas internacionais são mais sérios que os da minha casa.

.
Nunca vi seu boletim nem sei quem é a sua professora.
Não sei nem qual foi sua primeira palavra; também, você entende...
Não tenho tempo...
De que adianta saber as mínimas coisas de você
se eu tenho outras grandes coisas a saber?
Puxa, como você cresceu!
Você já passou da minha cintura, está alto!
Eu não havia reparado nisso.

.
Aliás, não reparo em quase nada, minha vida é correr.
E quando tenho tempo, prefiro usá-lo lá fora.
E se o uso aqui, perco-me diante da TV.
A TV é importante e me informa muito...
Sei que você se queixa, que você sente falta de uma palavra,
de uma pergunta minha, de um corre-corre, de um chute na bola.
Mas eu não tenho tempo...

.
Sei que você sente falta do abraço e do riso,
de andar a pé até a padaria, para comprar guaraná.
De andar a pé até o jornaleiro para comprar "Pato Donald".
Mas, sabe, há quanto tempo não ando a pé na rua?
Não tenho tempo...

.
Mas você entende, sou um homem importante.
Tenho que dar atenção a muita gente.
Dependo delas... Filho, você não entende de comércio!
Na realidade, sou um homem sem tempo!
Sei que você fica chateado, porque as poucas vezes que falamos
é monólogo, só eu falo.
E noventa por cento é bronca: quero silêncio, quero sossego!
E você tem a péssima mania de vir correndo sobre a gente.
Você tem mania de querer pular nos braços dos outros...
Filho, não tenho tempo para abraçá-lo.

.
Não tenho tempo para ficar com papo-furado com criança.
Filho, o que você entende de computador,
comunicação, cibernética, racionalismo?
Você sabe quem é Marcuse, Mc Luhan?
Como é que vou parar para conversar com você?
Sabe, filho, não tenho tempo, mas o pior de tudo,
o pior de tudo é que...


Se você morresse agora, já, neste momento,
eu ficaria com um peso na consciência, porque,
até hoje, não arrumei tempo para brincar com você.
E, na outra vida, por certo, Deus não TERÁ TEMPO de me deixar, pelo menos, vê-lo!

"Neimar de Barros"